Eu não me canso de me surpreender comigo mesma a todo instante, com tudo o que já me aconteceu e com tudo em que me transformei. Tenho medo pois sei que por mais que eu tenha me transformado, ainda existe muita vida pela frente, muitas mudanças para acontecer. Tenho medo e urgência. Medo e pressa. As vezes eu quero pisar bem forte no acelerador, mas sabe, o medo não deixa. Agradeço ao medo todos os dias, por que se não fosse ele, acho que eu estaria por aí, sem freios e limites.
Mas eu to satisfeita comigo do jeito que sou, com todos os defeitinhos e imperfeições. Eu gosto do meu olhar de olhos grandes e dissimulados, que escondem uma pretensão preguiçosa e uma vontade sem força. Às vezes eles se mostram audaciosos mais audácia e o que mais lhes faltam. Eu gosto dessa minha cara que tenta enganar, do sorriso que forço. Gosto de ser assim tão tudo ou nada. Tão complicada e cheia, cheia de defeitos. Repleta de arrependimentos felicidades, orgulhos, desgostos e vitorias. Pois é, foi a pouco tempo que descobri que nem tudo é perfeito, e pra falar a verdade, que bom que é assim. Não faz muito tempo que eu descobri que, a vida é muito mais difícil e prazerosa do que imaginava. Se eu pudesse escolher quem eu seria, com certeza escolheria ser essa menina errada que sou. Escolheria todas as imperfeições a serem superadas, todas.
Por um momento eu me esqueci da Paula na qual me transformei, e me lembrei daquela Paulinha que eu era. Mas eu acredito que aquela Paulinha ainda está aqui, dentro dessa Paula que hoje eu sou. A Paulinha cresceu, mudou, em todos os sentidos, mas ainda restam alguns olhares dela, alguns sorrisos que me remetem a tudo aquilo que ela era e já não é mais. Eu mudei, como já era de se esperar. É, até eu, que pensava ser imutável, mudei, por bem ou por mal, mudei. Eu queria poder ter mais detalhes de mim, saber a fundo os porquês da minha história, reviver as sensações, os sentimentos, tudo! Eu não quero simplesmente perder na memoria todos os momentos e detalhes que já vivi. Eu não quero deixar o tempo levar. Eu vou reagir e vou lutar o quanto for possível pra manter comigo todas essas lembranças que o tempo quer roubar, esconder, diluir.
É inevitável, ele passa. O tempo passa, te leva te arrasta, machuca, não para, não olha pra trás, ele vai. Vai e te puxa, sem deixar escolhas, não há refúgio. Te suga, ligeiro, astuto, é o tempo, que não tem tempo pra gastar com nossas lastimas. E eu aqui, sem fôlego pra acompanhar esses passos largos e rápidos do tempo, que não para nem pra um café. E ele me guia pra uma realidade totalmente desconhecida, rumo a uma nova vida, que me assusta. Esse tempo impiedoso me assusta, me cega e quer roubar de mim tudo o que tenho de melhor. Quer roubar de mim a Paulinha que ria a toa, a Paulinha tímida, boba, vermelha de vergonha, a Paulinha de voz e cabeça baixa. Quer roubar de mim tudo que sou, e me impõe um novo jeito de ser. Eu já não sou tão tímida e despretenciosa como era a Paulinha de olhos curiosos e vivos. Eu sou uma mistura de mim com uma nova realidade. Sou uma mistura do que eu era com o que estou me tornando. O que eu sou é uma pergunta que faço em praticamente todos os meus posts. Uma pergunta que nunca me leva a respostas, mas sim a outras perguntas. Mas eu não desisto de me perguntar, eu preciso me descobrir, me conhecer. A vida é mesmo uma grande indagação né? Tudo bem, as respostas virão quando eu menos esperar. E apesar de correr tanto atrás delas eu tenho medo. Medo e urgência, medo e pressa. É confuso oscilar entre os extremos da repulsão e atração, mas aqui estou eu de novo; entre o tudo e o nada. A cada dia me convenço mais de que aqui é meu lugar. Aqui estou eu pra sempre e novamente em meio a indecisão.