
É tanta coisa pra dizer, que o certo seria não dizer nada. Até por que o que eu disser talvez não faça sentido pra quem ler mas pra mim é o que há de mais lógico e óbvio.Tão lógico e óbvio que poucas são as pessoas que perdem seu tempo pensando nisso. O óbvio pode ser mais do que insignificante quando mergulhamos nele, assim como o surpreendente passa despercebido aos nossos olhos, quando nos acostumamos com ele.Vai entender! No fundo ninguém entende. Ninguém entende esse meu jeito tão desequilibrado,o fato de eu não saber colocar pouco sal na pipoca. Pra mim tudo tem que ser demais, ou é melhor não ser. Eu ainda não encontrei um lugar aconchegante para ficar entre o tudo e o nada, por isso oscilo entre os dois e no fim, prefiro ficar com o tudo. O nada é vazio, e o vazio entedia , enquanto o tudo é desafiador, imprevisível e confrontador.O tudo é tão tudo, e o nada é tão vazio de tudo. Mas o tudo não teria um dia surgido do nada? Será que se o tudo não existisse, faria sentido a existência do nada? Afinal, o nada existe, ou ele é a falta de existência? Talvez tudo seja parte de algo maior incluso no nada. Quem vai saber! Se eu não sei nada sobre mim, como poderei saber de tudo?
Refletindo, cheguei a conclusão de que, na verdade eu sou um ser, um ponto minúsculo no meio de um planeta que gira em torno do sol e de si mesmo em uma das muitas galáxias desse universo finito ou não. Isso é o que aprendi, mas isso não diz nada sobre mim. Afinal, que importância tem tudo o que aprendemos, se isso não nos ajuda a definir a essência do mundo ? Existe uma fórmula física que possa definir o que somos? "Decifra-me ou te devoro". Acho que fico com a segunda opção!
Eu não aguento mais falar de mim e nunca chegar a uma conclusão concreta do que sou. Isso me deixa aflita. Eu não posso ser eu, se eu nem sei o que eu sou, não faz sentido! Mas cá entre nós, no fundo nada faz sentido mesmo.
A cada dia eu aprendo mais coisas na escola, teorias, idéias, leis e propriedades, quanto mais eu aprendo mais eu vejo que nada sei. Mais eu vejo que sou uma partícula tão pequena desse mundo tão grande, que não passa de uma partícula pequena desse universo imenso, que talvez seja uma partícula minúscula de algo maior ainda! Somos todos parte de algo tão grande mas não sabemos como tudo começou e nem como vai terminar. Não sabemos e isso é apavorante! Me assusta saber que sei muito, mas o muito que sei é nada se comparado a imensidão de coisas que existem nesses mundo para se saber. O muito que sei, é tão superficial que não me ajuda a compreender nem mesmo quem eu sou!Se o meu saber não me serve de nada eu quero joga-lo por terra, construir um mundo paralelo onde as minhas verdades serão absolutas e viver dentro de mim. Pronto! Se as coisas fossem tão fáceis assim, certamente a vida não seria tão prazerosa. Afinal, o prazer esta em desvendar o desconhecido, mesmo que este seja indesvendável.
O muito que sei se resume a nada. Pois é, eu não sei de nada. Nada que seja relevante. Eu não sei quem eu sou, eu não sei o motivo por que sou, eu não sei por que o mundo é, caramba! Essa é a maior das minhas frustrações. Eu tenho que carregar minha curiosidade insaciável como um fardo e me contentar com a ignorância camuflada de saberes acadêmicos inúteis. É tão assustador que eu me sinto manipulada por verdades gigantescas, que me seguem quando tento fugir, e se escondem quando tento encontra-las. São como predadores astutos e inatingíveis. E aos poucos eu vou aprendendo,descobrindo novas verdades, e as ideias vão se embolando na minha cabeça fazendo nós e se contradizendo, e eu não tenho pra quem perguntar, e por isso pergunto pra mim mesma e me dou respostas absurdas que me fazem refletir em novas perguntas que vão entupindo a minha mente. Aí vem um e me chama de lerda, vem outro e diz que eu pareço criança, que sou infantil. Obrigada! Tomara que eu seja essa criança lerda e infantil pra sempre, e nunca perca a habilidade de me entusiasmar com os absurdos do mundo. Absurdos esses que passam despercebidos por pessoas que já se acostumaram com eles.
A evolução é um absurdo,a mente humana, a natureza, a perfeição das leis do mundo e suas infinitas possibilidades, o cuidado e a justiça de Deus, a beleza das pessoas, o sobrenatural, as loucuras dos sentimentos, as máquinas as tecnologias, a imensidão de cores e sons... não dá pra passar por tudo isso sem se surpreender, por que é tudo muito correto e muito lindo. É tudo perfeitamente intrigante e sedutor!
Eu não quero deixar de me surpreender com os detalhes desse mundo, com seus absurdos extraordinários, Não quero deixar de experimentar novas possibilidades, novas misturas, por que o mundo é flexível e quer ser percebido e explorado! Não, eu não vou parar de exercitar a minha criatividade nem vou oprimir a minha imaginação. Eu quero ser eu, seja lá o que eu for. Eu quero ter esse espírito de criança lerda e curiosa pra sempre. Vou continuar me perguntando coisas que nem eu nem a ciência nunca conseguirá responder, por que tudo um dia já foi uma pergunta supostamente sem resposta. Na falta de verdades inquestionáveis eu quero poder inventar as minhas próprias verdades. Quero me aventurar nas minhas próprias ideias e me perder em minha mente entupida de perguntas, respostas e teorias inexplicáveis.
sei que nunca vou conseguir desvendar os mistérios da natureza por que isso cabe somente a Deus, mas eu quero continuar tentando, por que nem todos os enigmas têm soluções, mas se foram criados é para serem desvendados. Eu vou confeccionar meus próprios absurdos, na tentativa de descobrir se eles são absurdos o bastante para serem verdade. Por que no fundo a verdade é um absurdo. No fundo, a existência é uma obra linda, e sem sentido algum.