"I've got nothing to say"
I'd like to read
I'd like a part
I'd like the lead
But I've got nothin' to say"Ask me anything - The Strokes
Não tenho nada a dizer, por isso escolhi falar do vazio que desta vez parece ser a matéria prima do qual sou constituída. Por que dizer que está tudo bem, se as coisas são tão complicadas? Eu não posso esconder de mim mesma o fato de estar confusa com tudo. Eu me pego tardes e anoiteceres tentando preencher o meu vazio com banalidades, sono, novela mexicana, jornais televisivos, programas sensacionalistas. Pois é, eu não me reconheço mais. A verdade é que eu me perdi, não consigo conciliar tanta coisa. Sempre fui cética a respeito das dificuldades que uma pessoa tem que enfrentar quando se é jovem, mas hoje, eu me vejo em meio à todas as dificuldades das quais duvidei, me vejo em meio a uma guerra onde, cada setor da minha vida duela por um pouco da minha atenção. Igreja, festas, estudos, obrigações, lazer.. "Não é fácil não!" diria minha mãe. Pra mim não tem sido fácil negligenciar tudo por não saber o certo a fazer. Não tem sido agradável passar tardes frente a televisão, me arrastando pela casa feito um zumbi, mas isso é a única coisa que me sinto apta a fazer. Depois de um ano cansativo, corrido e duro, eu estou farta de tudo e só quero repousar. Não sei o que vai ser de mim no ano mais decisivo da minha vida que está para chegar, e na verdade, nem quero saber. Por enquanto eu vou levando até onde eu aguentar, quando chegar o ano que vem a gente vê o que faz. E para não quebrar a velha tradição de deixar tudo para o ano que vem, é isso que eu vou fazer. Prefiro negligenciar isso, até o fim.







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