Quando a gente tava no ensino fundamental, a professora sempre nos mandava fazer um texto sobre nossas férias no primeiro dia de aula. Pois bem, a realidade hoje é outra, o ensino fundamental ficou lá atrás, e hoje, diferente de quando eu estava na terceira serie, eu sinto vontade de falar das minhas férias. Afinal, eu tinha me esquecido o quanto é bom ficar totalmente atoa sem obrigações, sem sair de casa, sem se preocupar com nada.
As minhas férias foram ótimas. Viajei, assisti muitos filmes, aprendi novas músicas no violão (antes de quebra-lo acidentalmente!), descansei, durmi até tarde, voltei a jogar ragnarok, mesmo sabendo que vou ter que parar agora que as oulas vão voltar. Poxa, por um momento eu pensei que as férias seriam infinitas e que essa terça feira não iria chegar. Eu nunca imaginei que eu chegaria ao terceiro ano tão rápido, eu pensei que nunca chegaria, mas cheguei. Eu e essa minha mania de duvidar de tudo que é provável. Mas agora já não dá pra duvidar, eu inevitavelmente estou no terceiro ano, e inevitavelmente as minhas férias se foram, e ficou um frio na barriga e o medo de ter que enfrentar  oterceiro ano, com direito a vestibular no final.

Ontem eu estava arrumando o meu quarto quando encontrei o livro de memórias da oitava série. Dai eu me lembrei da nossa formatura, da nossa excursão, da nossa alegria e do nosso medo de sair daquela escolinha colorida pra entrar em uma escola fria e sem os ares infantis que a coeducar tinha. Eu me lembrei do medo que eu tive de entrar em uma nova escola que ficava logo na esquina de uma nova realidade desconhecida. Eu tive medo de não me adaptar, de não fazer amigos e de não conseguir aprender nada, afinal, eu nunca havia estado em outra escola. Mas ora, eu superei, estou em outra escola, com outros colegas, em outra realidade mas continuo viva e feliz. Por mais que a gente queira se agarrar ao presente confortável, a gente precisa de um empurrãozinho pra que possamos conhecer o futuro e vivê-lo. É como um jogo no qual você tem que evoluir, ficar mais forte, enfrentar os monstros. Eu já tive minhas ferias, meu descanso. Já tive o meu momento para curtir vícios provisórios inventados agora o que resta é deixar isso pra trás, levar a vida pois como diz a minha mãe "a luta continua!"

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