Hoje foi um dia bom...
Apesar disso, ao olhar para os lados, tudo parecia sem vida, imóvel e frio. Eu engoli todo aquele vazio e prometi não chorar. Não sem antes descobrir o motivo daquelas lágrimas que eu oprimia.
Eu voltei a ser Paula, mas o mundo que construi do lado de fora da lucidez insiste em invadir a minha vida real.Ele invade o meu quarto o meu armário, está dentro de mim.
É difícil ter que deixar pra trás uma parte de mim, ter que começar do zero,quando todos já estão à mil. E ter que trocar os sonhos por aquelas apostilas frias e pela sala de aula hermética à prova de vida.
E ter que admitir que a luta está quase perdida é um martírio e tanto, principalmente pra mim. Mas é assim que eu me sinto; como quem perdeu sem lutar, como quem entrega o jogo sob desculpas esfarrapadas, com medo da derrota quase inevitável.
É como se dormir pra sempre fosse a melhor opção, como se debaixo dos cobertores se encontrasse a saída.
Daí eu me lembro de quando eu era bem pequena, a ponto de não saber amarrar os cadarços, quando com medo dos monstros e bruxas, eu encontrava refúgio embaixo das cobertas da cama dos meus pais.Lá eu inventava milhares de saídas, eu finalmente estava segura. Lá eu era rainha, era sábia, princesa, eu era tudo o que minha imaginação me permitia ser!
E hoje que o despertador toca, quando me desapego dos cobertores e da cama quentinha, sou apenas uma desajustada, uniformizada e, pra variar, atrasada pra mais um dia de sofridas matemáticas e químicas.






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