Eu tenho muito a dizer sobre meus desejos e vontades, porém, o meu querer é mutável e inseguro, assim como eu. Eu tenho muito a dizer sobre os caminho que quero seguir, mas na hora de fazê-lo meus pés me levam para o lado contrário ao que eu tanto sonhei, e planejei. Sonhos e planos não são nada sem atitudes, e a vontade não é suficiente sem aquela força que a move. Aquela força que eu não tenho. Também não tenho a quem culpar, só a mim mesma, pois me falta eficiência, me falta responsabilidade, na verdade, me falta um bocado de coisas. Me faltam freios e desconfiômetro, enfim, eu sou uma incompleta e imperfeita, assim como todos aqui. Mas o sonho de melhorar continua na mente, sem vontade alguma de sair tornar-se realidade. Talvez eu precise de um renovo, férias ou o que for. Mas sei que preciso de algo que me impulsione para que eu possa alçar vôo. Preciso de qualquer inspiração, uma musica, uma palavra, um incentivo qualquer, mas que venha com força e que seja logo. Que venha como um soco no estômago, que me ponha os pés no chão e tire minha cabeça das nuvens. Que seja algo imediato, pois já não tenho tempo a perder, e já não posso lidar de bom grado com as minhas derrotas. Talvez eu seja competitiva demais e isso é o que me destrói. Eu não aceito perder, e não tenho força de vontade para correr atrás das vitórias, logo estou sempre em contradição. E em busca de explicações para mim mesma, me perco. Acho que de tanto ouvir, não aprendi a falar. A vida tenta me convencer a cada dia de que talvez não haja explicação pra mim, talvez eu seja puro paradoxo querendo contestar o que é certo, já que certo e errado são definições totalmente relativas, ao menos no plano das idéias. E é lá que eu passo a maior parte do meu tempo, descobrindo coisas que eu nunca conseguirei explicar, explicando coisas que eu nunca consegui descobrir pela simples vontade de inventar, tornar verdade aquilo que não passa de idéias e misturar o imaginário com o real. Afinal, verdades também são definições relativas, lá e aqui, em você e em mim, cada lugar e cada pessoa possui suas próprias verdades  uma vez que nada é certo num mundo misterioso como esse no qual passo a maior parte do meu tempo. É, ás vezes eu penso que a minha mente é uma cadeia que só serve pra me prender. Eu perco tantos detalhes da vida por estar mergulhada no meu ''infinito particular''... eu perco a chave de casa, perco os olhares, perco a razão, perco as palavras, e não ganho nada. Dessa forma abro mão da minha própria vida sem ao menos desconfiar, é como se eu pudesse enxergar a minha vida se esvaindo nas tardes de sono, nas noites tediosas, no vazio do tempo... é ele me perseguindo novamente! Esse tempo que passa, e eu não posso culpá-lo, ele voa, como deve voar, e vai me levando enquanto durmo, e assim eu vou perdendo os lances mais importantes da vida. Enquanto lá fora estam rolando os dados, eu to trancada aqui dentro. Aqui tudo parece sereno e calmo, aqui dentro de mim nada pode me perturbar, tem um sofá pra deitar e um livro pra ler e viver. É aqui que eu me sinto livre. To trancada na minha própria liberdade que me impede de viver a realidade, de agir racionalmente, de fazer o meu dever, se é que você me entende. E quando o mundo frio me intedia, eu abrem-se as portas da minha mente, que me convida para entrar. Lá dentro é quentinho confortável e macio, é o meu refúgio. Lá dentro é mais fácil de se viver. E lá fora o tempo passa, os dados rolam e eu mais um vez troco a vida real pelo mundo que inventei. Troco a chance de viver por mais uma de sonhar.

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