Acabou, assim como tudo que é bom. Não tem mais, é como uma caixa de bombom que se esvaiu. Já se foi, e o que resta é assistir as lembranças serem digeridas. E agora, não há mais do que gargalhar, não há música pra se dançar nem motivos para gritar e pular. O que há são rostos pálidos por toda sala de aula. São professores cansados de ensinar aquilo que ninguém quer saber. E chegando em casa há o sono e uma cama cansada. Há uma luz fraca que vem da janela e mal ilumina o cômodo que mesmo com as luzes acesas, não brilham como antes brilhavam. Há o quarto que mesmo arrumado parece confuso por não ser mais o quarto de antes. Há um mundo de coisas desconhecidas mas que de alguma forma fazem parte de mim, são meus lençóis, meus pertences, travesseiro, almofada. Tudo é meu, desconhecido e frio como nunca. Tudo olha pra mim e pergunta quem é essa pessoa que chega com uma euforia descontrolada e se joga na cama pensando coisas que nunca fizeram parte daquele lugar. Tudo me estranha, mas tudo ali é meu, tudo sou eu em potência então não tem porque estranhar. Eu sou tão grande que não consigo mais entrar pela porta do meu quarto. Eu sou tanta euforia, tanto sentimento que não cabe no quarto frio que suporta todo o vazio mas nunca o meu excesso. Acabou o que era bom, e ficou aquele gosto amargo de fim de festa. Ficou aquela vontade de me agarrar ao tempo e não deixa-lo passar.
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