Nada disso me é estranho, nada parece novo pra mim. Parece que o tempo está voltando. Essa chuva que bate na janela não é estranha, assim como o barulho da força do vento que espalha as cartas na mesa e canta como as cigarras. A chuva conversa comigo, quase como as tardes escuras de sono, que mais parecem noite. Ela me diz o quão bom é viver sutilmente, o quão bom é estar no conforto de casa mesmo quando lá fora o céu cai sobre a cabeça daqueles que, sem guarda-chuva aventuram-se a dançar sob a água que não pára de cair. Mesmo quando tudo parece tão difícil, o conforto de casa, o barulho da chuva, o macio da cama...tudo faz parecer que o tempo está voltando. Tudo faz lembrar o cheiro de terra molhada, de outros tempos. E quando saio de casa sob o céu quase-noite da tarde fria, sob a chuva fina, tudo é lembrança. Cada passo na rua molhada, me envolve de lembranças me fazem querer mergulhar no mais profundo do meu eu. Tudo me faz querer voltar, mas meus pés me fazem seguir em frente, e eu sigo, pra que o caminho que hoje eu faço se torne lembrança em um futuro dia de chuva, ou em uma futura conversa entre ventos.
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