Quero me encontrar, mas não sei onde estou...


Me perdendo mais uma vez. Já virou rotina sair do sério mesmo quando tudo parece estar indo tão bem, sereno, calmo e constante. Aí vem aquela euforia louca, uma festa, um momento bom que vai embora e me deixa órfã de ânimo e ação. Quando um vento entra no seu quarto e bagunça tudo aquilo que você demorou um tempão pra arrumar. Ou quando você faz aquele castelo de cartas gigante e vem alguém e destrói! Sabe como é, na hora é divertido, rende muitas risadas. O difícil é voltar a fazer tudo denovo e se concentrar na construção de um novo castelo, que pode ser destruído denovo e denovo. Aí bate aquela dúvida; pra que voltar a construir um castelo que pode ser destruído a qualquer hora? Pra essa pergunta eu não tenho resposta.
Eu sei que tudo é bom, viver é lindo, mas quando a gente se depara com algo tão infinitamente bom, passamos a olhar pra nossas vidas, antes maravilhosas, com um certo desprezo. Como quando você compra um sapato lindo, e sua amiga chega com um mais lindo ainda, e mais barato. A seu sapato continua sendo lindo, mas o dela é tão... entendeu né?
Pois é, as coisas são assim! Tudo que é muito bom acaba, e se não acaba, se torna ruim. Imagina se todo dia fosse sábado, se todo almoço fosse lasanha e se todo beijo durasse uma eternidade? A vida seria perfeita se tudo fosse assim. Porém, mais cedo ou mais tarde, a perfeição se tornaria rotina, a lasanha enjoativa, o beijo forçado, e os sábados cansativos.
Quando um vendaval de euforia passa por sua vida destruindo seus castelos de cartas, você tem que ter paciência e equilíbrio pra voltar a construi-los. Se esse vendaval levou você pra um plano desconhecido, como se encontrar? Como sair daquele mundo de sonhos e lembrar-se que o que é bom acabou?  Como continuar achando o seu sapato lindo se o da sua amiga é tão...entende?
Agora o negócio é voltar do ponto em que parei. Deixar lá na lembrança tudo o que passou e seguir em frente, reconstruindo.
Mas e agora? por onde começar? Desnorteada que sou já nem sei o caminho de casa, me perdi.

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu, 
a noite esfriou 
...e agora José?


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